Golpe do falso presente faz novas vítimas no Sul de Minas
Estelionatários utilizam falsas entregas de brindes e taxas de frete fictícias para clonar cartões e desviar valores expressivos em Poços de Caldas e Varginha.
Uma nova modalidade de estelionato, conhecida popularmente como o golpe do falso presente ou golpe do motoboy, tem acendido o sinal de alerta entre as autoridades de segurança pública no Sul de Minas Gerais. Com a proximidade do Dia dos Namorados, período em que o fluxo de encomendas e trocas de mimos atinge níveis elevados, criminosos passaram a intensificar a abordagem a moradores em cidades de médio e grande porte da região, com registros recentes e expressivos nos municípios de Poços de Caldas e Varginha.
O enredo criminoso se desenvolve a partir de dados reais das vítimas, muitas vezes obtidos ilegalmente em bancos de dados virtuais. O golpista entra em contato telefônico ou por mensagens de texto informando que a pessoa foi contemplada com um brinde decorrente de uma data especial ou sorteio promocional de uma grande marca de cosméticos, flores ou chocolates. Para dar veracidade à ação, um entregador uniformizado comparece ao endereço residencial carregando uma embalagem bem decorada, gerando um ambiente de surpresa e aparente legitimidade.
O núcleo do crime ocorre no momento da entrega do pacote. O suposto motoboy alega que o presente já está integralmente pago, restando pendente apenas uma taxa simbólica de entrega ou de conveniência logística, que geralmente varia entre cinco e dez reais. Sob o pretexto de que as normas internas da empresa proíbem o recebimento de dinheiro em espécie para evitar assaltos, o criminoso exige que o pagamento seja efetuado por meio de cartão de crédito ou débito.
É neste instante que o prejuízo financeiro se consolida. Utilizando maquininhas de cartão adulteradas ou com visores propositadamente danificados, os criminosos inserem valores exorbitantemente maiores do que os anunciados ou capturam os dados bancários e a senha digitada pela vítima para posterior clonagem. O prejuízo individual, segundo relatos registrados em delegacias da região, costuma variar de dois mil a dez mil reais por ocorrência, sendo percebido pelas vítimas apenas horas após o ocorrido, ao consultarem o aplicativo bancário. A Polícia Militar orienta que os cidadãos recusem qualquer entrega de brindes surpresa cujo recebimento esteja condicionado ao pagamento imediato de taxas, por menores que sejam os valores cobrados.






